Pela janela
Dentro de um 435
Hoje não deu tempo. O dia correu e me atropelou. Não tinha um texto pronto, a gaveta vazia. Quase esqueci que era dia. Segunda de substack. Então, dentro de um 435, indo encontrar um grande amigo que está no Rio de passagem, esbocei um poeminha. Janelas de ônibus costumam me inspirar poemas. Foi o que deu. Para não perder o ritual.
Corre correios vidro espelhando céu espalhando nudez azul fios trançando os cabelos elétricos da cidade sobrado grafitado sobra muro mudo acinzentado uma espada de São Jorge corta as grades da janela do primeiro andar e as demandas da segunda-feira Correm números suspensos e luminosos correm as casas empilhadas sobre o morro corre o retrato de um bebê branquinho no outdoor semana guanababy correm copas quase imóveis de árvores sisudas corre a luz branca de um túnel encardido correm os carros insandecidos Corre este ônibus em sua vigésima volta correm as almas baratas tontas escorre qualquer resquício de carnaval sobre a cidade sem samba nem sal sobra labuta paisagem apática Correm as horas no relógio central morre o tempo atropelado no asfalto no entanto , vivendo de vento os pássaros planam
Obrigada pela leitura! Espero que tenha apreciado o poeminha. Impressões, sugestões, trocas, pode me mandar mensagem.
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Até semana que vem!
Beijos,
Dani



GENIAL!!!